Síndrome de Burnout: causas, efeitos e prevenção.

Síndrome de Burnout: causas, efeitos e prevenção.

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De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e pelo Grupo LTM (Royalty & Trade Management) dados apontam que mais da metade da população nacional, cerca de 56% dos trabalhadores, estão insatisfeitos com sua ocupação atual e desejam mudar de emprego. Esses dados são de Dezembro 2017 e mostram que a origem da insatisfação é a desmotivação e a falta de engajamento tanto com a empresa quanto com o serviço em geral.

Uma outra pesquisa feita pela Hay Group mostrou que o maior inimigo do engajamento profissional é a frustração. Nesse contexto, os pesquisadores levaram em conta a definição de frustração como sendo a incapacidade de se conquistar algo desejado. No mundo corporativo esse sentimento é engolido porque as pessoas acreditam que não existe muito o que fazer para driblar os problemas. O funcionário desmotivado não é um mau funcionário. Pelo contrário, na maioria das vezes ele é dedicado mas não está feliz com o que faz ou como faz.

Uma das principais fontes de frustração está no fato de o colaborador se sentir sobrecarregado. Muitas vezes, ele tem inúmeras tarefas sob sua responsabilidade mas não tem poder para definir o que é prioridade, que  atalhos tomar e o que pode ser prorrogado. Suas lideranças, que deveriam apoiá-los na conquista dessa liberdade, em muitos casos, pioram ainda mais a situação, deixando-os confusos, visto que não conseguem definir diretrizes e estratégias, fornecendo um norte para que possam exercitar sua autonomia. Essa realidade pode ser ainda mais cruel em empresas familiares que ainda não se profissionalizaram e que mantêm  pessoas em posição de liderança mais pela confiança do que pelo resultado.

Com a chegada da geração Y  ao mercado de trabalho, a partir do final da década de 90, esse problema parece ter se agravado visto que eles são focados no futuro, são ansiosos e tendem a confiar muito em si mesmos e em suas habilidades. Eles querem reconhecimento e feedback. O reconhecimento para eles não passa necessariamente pelo salário e sim por uma gestão participativa, onde a sua opinião seja ouvida; flexibilidade de horário, já que cumprir 8 horas diárias de trabalho não é garantia de entrega de resultados e competência; gestão sobre a própria vida, representada pelo equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

O mais preocupante deste quadro é que, se nada é feito no sentido de dar maior autonomia ao colaborador,  revendo processos e fluxo de trabalho, evitando a sobrecarga excessiva de atividades, a pessoa pode acabar adquirindo a Sindrome de Burnout. Estima-se que 30% dos trabalhadores brasileiros tenham a doença que tem como principais sintomas:

  • Sentir-se cansado e sem energia quase sempre;
  • Ter dor de cabeça frequente;
  • Alterações no apetite;
  • Dificuldade para pegar no sono;
  • Ter sentimentos constantes de fracasso e insegurança;
  • Sentir-se derrotado e sem esperança;
  • Dores musculares e de cabeça;
  • Dificuldade para cumprir com responsabilidades do trabalho;
  • Vontade de se isolar dos outros.

No Brasil, a falta de produtividade causa da pela exaustão gera prejuízo de 3,5% do nosso PIB (Produto Interno Bruto), conforme cálculos feitos pela Isma ( International Stress Management Association) em 2010.

Esses milhões de pessoas não conseguem relaxar. Não há feriado ou férias que consigam repor todas as energias sugadas pelo expediente. “É o nível mais devastador do estresse, é uma exaustão que não passa nunca, e a pessoa não consegue se adaptar a uma situação nova”, explica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma no Brasil.

É uma doença silenciosa e que geralmente, começa de forma muito leve mas vai piorando ao longo do tempo e, por isso, é possível que de início as outras pessoas não notem as alterações no comportamento. Porém, com o tempo, é comum que as outras pessoas refiram alterações na forma de ser da pessoa afetada.

A pessoa frequentemente se vê num “beco sem saída”: se afastar do trabalho é um problema pois ela não tem outra fonte de renda e muitas vezes teme perder tudo que conquistou, principalmente se o seu status e conforto (carro, viagens de férias, bom salários, imóveis adquiridos) decorrem dessa ocupação, fato vivido por muitos executivos. É a luta do “ter” contra o “ser”. Por outro lado, permanecer no trabalho é uma tortura já que tudo o que ela sente é uma terrível pressão. Quando  a pessoa chega nesse ponto é preciso procurar ajuda médica e psicológica e se afastar temporariamente do trabalho para que seu equilíbrio seja restabelecido.

Mas o que fazer para evitar chegar nesse ponto?  Sempre que surgem os primeiros sinais de burnout é importante focar em estratégias que ajudam a reduzir o estresse, como:

  • Definir pequenos objetivos na vida profissional e pessoal;
  • Participar em atividades de lazer com amigos e familiares;
  • Fazer atividades que “fujam” à rotina diária, como passear, comer num restaurante ou ir no cinema;
  • Evitar o contato com pessoas “negativas” que estejam constantemente reclamando dos outros e do trabalho;
  • Conversar com alguém de confiança sobre o que se está sentindo.
  • Fazer exercício físico, como caminhada, corrida ou ir na academia, por pelo menos 30 minutos por dia para aliviar a tensão;
  • Repensar o valor do trabalho definindo se vale a pena ficar onde está ou se é melhor mudar de empresa ou, quem sabe, de carreira.
Mônica Cavalcanti
Mônica Cavalcanti
Sou formada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Pós Graduada em Gestão Estratégica de RH pela Universidade Estácio de Sá atuando há mais de dez anos em cargo de gestão na Área de RH em empresas de médio e grande porte do varejo, indústria e de serviços.

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