Como vencer sabotadores mentais?

Como vencer sabotadores mentais?

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Nos últimos dois artigos, falamos da necessidade de ultrapassarmos a zona do medo para sair da zona de conforto e de como e de como os sabotadores mentais são responsáveis por não conseguirmos êxito nessa jornada. Hoje vamos falar das estratégias para conseguirmos vencer e controlar os nossos sabotadores mentais.

Antes, precisamos entender o modo como o nosso cérebro funciona e de forma isso está relacionado com a maneira como os sabotadores atuam. Segundo a teoria da Inteligência Positiva, nós temos dois cérebros: o cérebro sobrevivente e o cérebro QP.

O cérebro sobrevivente, como o próprio nome diz, é a parte que nos ajuda a sobreviver. Representa a parte mais primitiva que está envolvida na motivação básica de sobrevivência física e que emite a reação de perigo de lutar ou fugir. Fazem parte do funcionamento deste cérebro o sistema límbico, que modera nossas reações emocionais, incluindo aí o medo, e o hipotálamo e a glândula pituitária, que secretam os hormônios necessários para uma resposta a uma reação do sistema límbico. Dentre esses hormônios está o cortisol, que é o hormônio do estresse e que circula pelo corpo fazendo com que nos concentremos na sobrevivência. Durante esse  foco, o lado esquerdo do cérebro é o principal participante, através de sua concentração em dados concretos e detalhes.

Já o cérebro QP é formado por três componentes: córtex pré frontal medial (CPMF), círculo da empatia e lado direito do cérebro. Se concentra em desenvolvimento, não em sobrevivência. O CPMF executa funções chave críticas para um QP (quociente de positividade) alto. Essas funções são:

  1. Observar a si mesmo: permite nos elevar acima do conflito e testemunha nossa mente e o processo de pensamento;
  2. Pausar antes de agir: oferece uma zona de contemplação que leva à diferença entre agir e reagir;
  3. Acalmar o medo: libera GABA, substância que facilita a experiência de medo produzida pelo Cérebro Sobrevivente.
  4. Ter empatia consigo mesmo e com os outros;
  5. Permanecer centrado: remete a um senso de tranquilidade e a uma sensação de estar centrado no meio de uma grande dificuldade;
  6. Acessar a sabedoria do pressentimento: acessa e processa informações de redes neurais que ficam fora do crânio e se espalham pelo corpo, incluindo coração e intestinos.

O circuito da empatia funciona a partir dos neurônios espelho que são responsáveis por captar o estado psicológico e emocional das pessoas com as quais interagimos e automaticamente nos fazem vivenciar estados similares, incluindo mudanças em nosso humor, pressão sanguínea e batimentos cardíacos. Isso explica como somos afetados pelo ambiente de uma reunião ou porque bocejamos quando alguém boceja.

O lado direito do cérebro lida com o todo, com imagens, com linguagem não verbal, e com detecção de coisas invisíveis como energia e humor. É mais diretamente conectado com o fluxo de informações do corpo, uma percepção de nossas sensações físicas e emoções.

Até aqui fica claro que temos duas mentes: uma representada pelo hemisfério esquerdo do cérebro, responsável pelo pensamento linear, lógico pela linguagem escrita e falada e pelos detalhes. É a parte que permite nos desligar de nossas emoções e sensações físicas. É a mente racional que justifica e racionaliza os medos e as dores. A outra, representada pelo hemisfério direito, representa a empatia, a mente aberta, a perspectiva mais ampla de possibilidades e a conexão mais profunda com o que realmente importa para nós na vida. É com ele que enxergamos o propósito e significado na vida.

Mas o que toda essa explicação tem a ver com controlar e vencer nossos sabotadores mentais?, você deve estar me perguntando. Para vencer nossos sabotadores precisamos equilibrar o uso dos dois hemisférios, ou seja, precisamos usar mais nosso cérebro direito. O problema é que fomos treinados para usar o lado esquerdo e não o direito e esses hemisférios são completamente separados um do outro e ligados apenas por um pequeno corredor de fibras neurais chamado de corpo caloso.

Quando somos crianças usamos um pouco mais o lado direito, principalmente nos primeiros anos de vida, e por isso temos um equilíbrio maior entre os dois. Infelizmente nossa educação fortalece e encoraja mais o lado esquerdo e ignora ou pune as funções do lado direito. Nos ensinam a fortalecer os músculos do lado esquerdo da linguagem e da lógica. Literalmente passamos a viver com metade do cérebro e nós precisamos sair do cérebro sobrevivente para conseguir combater nossos sabotadores. Existem três estratégias para sair desse cérebro e entrar no cérebro QP:

  1. Conscientizar-se de seus sabotadores identificando-os e nomeando-os. Ao fazer isso, você começar a detectar com mais clareza quais são os comportamentos influenciados por eles. Não se pode combater um inimigo que você não enxerga. Para isso, você usa o quadro que apresentamos no primeiro artigo.
  2. Praticar mindfulness – viver o momento presente. Através da simples observação da nossa respiração, prestar atenção ao ato de comer, de tomar banho, de escovar os dentes, ou seja, estar 100% naquilo que se está fazendo, ativa a nossa auto observação, nossa intuição e nosso sábio interior. Saímos do modo automático de estímulo-resposta do cérebro sobrevivente e fortalecemos o cérebro QP.
  3. Fortaleça seu sábio. Ao se deparar com situações de conflito, raiva, etc, onde os sabotadores costumam atua, utilize os poderes do sábio interior:

a) Ter empatia. Não julgue você ou a situação ou quem estiver envolvido. Apenas aceite e identifique o que está sentindo e pensando a respeito, não resista. Entenda que o outro pode não ter a mesma perspectiva que você ou que você pode ter criado expectativas demais a respeito dela. Essa é a parte mais difícil pois significa vencer seu crítico interno.

b) Explorar. Procure entender a situação: por que isto está acontecendo? Quais as minhas motivações? Quais são as consequências?

c) Inovar. Enxergue como uma oportunidade de aprendizado. Pergunte a si mesmo o que você pode fazer de forma diferente? De que maneira posso sair dessa situação? Que caminho ainda não experimentei? O que posso aprender?

d) Navegar. Diante de possíveis alternativas qual a que tem maior sintonia com você? O que a sua intuição lhe diz?

e) Ativar. Aja de acordo com as respostas que encontrou para as perguntas anteriores.

Para terminar, é preciso deixar claro que existem dois tipos de sofrimento que não são gerados pelos sabotadores mentais: o luto pela perda de alguém ou de alguma coisa e alguns breves segundos de raiva, decepção, vergonha ou qualquer emoção negativa logo após um evento. Isso é da natureza humana. Mas, ainda assim, você pode e deve usar o seu sábio interior para lidar melhor com essas situações e sair desse sofrimento.

Mônica Cavalcanti
Mônica Cavalcanti
Sou formada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Pós Graduada em Gestão Estratégica de RH pela Universidade Estácio de Sá atuando há mais de dez anos em cargo de gestão na Área de RH em empresas de médio e grande porte do varejo, indústria e de serviços.

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